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28 de junho de 2011

Christiania: a prova de que anarquia não é utopia

Christiania: A Lenda da Liberdade No coração gelado do capitalismo europeu, na fria Copenhagen, Dinamarca, uma comunidade de 10 mil pessoas vive num outro compasso. Cristiania não tem prefeito, não tem eleição e funciona sem governo, sem imposição de leis que controlem a organização social. A lenda da cidade-livre da Dinamarca é real: inspirada no Anarquismo, Christiania resiste há mais de 20 anos, inventando um jeito novo de conviver com os problemas da vida comunitária. Limpeza das ruas, rede de esgoto, manutenção dos serviços básicos, tudo é decidido e feito a partir de reuniões entre os moradores da cidade.
Eles se definem como uma comunidade ecologicamente orientada, com uma economia discreta e muita autogestão, sem hierarquia estabelecida e o máximo de liberdade e poder para o indivíduo. Uma verdadeira democracia popular direta, onde o bom senso e o diálogo substituem as leis. No Brasil, poucos conhecem a história da cidade-livre. O TESÃO vai contar, com exclusividade, a lenda da liberdade.
Christiania começou a escrever sua história em 1971. Foi a partir das idéias de um jornal alternativo, o Head Magazine, que um grupo de pessoas, de idades e classes sociais variadas, decidiu ocupar os barracos de uma área militar desativada na periferia de Copenhagen. Era o início de uma luta incansável contra o Estado. A polícia tentou várias vezes expulsar os invasores da área, mas sem sucesso. Christiania virou um problema político, sendo discutida no parlamento dinamarquês. A primeira vitória veio com o reconhecimento da cidade-livre como um "experimento social", em troca do pagamento das contas de luz e água, até então a cargo dos militares, proprietários da área. O Parlamento decidiu que o experimento Christiania continuaria até a conclusão de um concurso público destinado a encontrar usos para a área ocupada.
Em 73 houve troca de governo na Dinamarca e a situação de radicalizou: o plano agora era expulsar todos e fechar o local. O governo decretou que a área seria esvaziada até o dia 1º de abril de 1976. Na última hora, o Parlamento decidiu adiar o fechamento de Christiania. A população da cidade-livre tinha se mobilizado para o confronto com o Estado, mas a guerra não aconteceu. O dia 1º de abril tornou-se o dia de uma grande manifestação da Dinamarca Alternativa. Ao longo dos anos, a cidade-livre aprimorou sua autogestão: casa comunitária de banhos, creche e jardim de infância, coleta e reciclagem de lixo; equipes de ferreiros para fazer aquecedores a lenha de barris velhos, lojas e fábricas comunitárias de bicicletas.
A década de 80 foi marcada pelas drogas. Em 82, o governo começou uma campanha difamatória contra Christiania: a cidade-livre era considerada o centro das drogas do Norte da Europa e a raiz de muitos males. A comunidade teve então que organizar programas de recuperação de drogados e expulsar comerciantes de drogas pesadas, como a heroína. O mercado de haxixe continua funcionando normalmente. O governo dinamarquês nunca deixou Christiania em paz, Vários planos foram elaborados visando a "normalização e legalização" da área.
Em janeiro de 92, finalmente um acordo foi assinado. Christiania já tinha mais de vinte anos de independência e provara ao mundo que é possível viver em liberdade. Mesmo com o acordo, o governo ainda tenta controlar a cidade-livre. A resposta veio no ano passado, com o lançamento do Plano Verde, onde os moradores de Christiania expressam sua visão de futuro e que rumos tomar. A lenda de Christiania continua sendo escrita.

Christiania: uma cidade sem governo
Christiania II: Uma Cidade sem Governo Christiania tem provado ao mundo que é possível viver numa sociedade sem autoridade constituída, sem delegação de poder através de mandatos e eleições. A cidade-livre da Dinamarca criou um experimento social definitivo contra a idéia dominante de que a humanidade se auto-destruirá se não existir um controle sobre a liberdade individual.
Os habitantes de Christiania decidiram correr o risco de andar na contra-mão da história. Para eles, o governo, seja lá qual for, e seus mecanismos de administração pública são sinônimos de burocracia, abuso de poder e corrupção.
Vivendo sem a necessidade de leis que controlem a organização social, cada morador da cidade livre tem que fazer sua parte enquanto cidadão e confiar que todos farão o mesmo. É uma nova ética de convivência, baseada na honestidade e na solidariedade.
Em 23 anos de existência, a cidade-livre sempre esteve associada a rebelião contra a ordem estabelecida e experimentando novos meios de democracia e formas de autogestão da administração pública. Christiania se organiza em vários conselhos, onde todos os moradores têm direito a opinar e discutir os problemas comunitários. As decisões não são feitas por votação, mas sim através do consenso. Isso significa que não é a maioria que decide e sim que todos tem que estar de acordo com as decisões tomadas nas reuniões. Às vezes, contam-se os votos somente para se ter uma idéia mais clara das opiniões, mas essas votações não tem nenhum significado deliberativo, não contam como uma solução para os problemas da comunidade. Christiania é dividida em 12 áreas, cada uma administrada pelos seus moradores, para facilitar o funcionamento dos serviços básicos. As decisões tomadas sempre por consenso podem parecer difíceis para nós, brasileiros acostumados ao poder da maioria sobre a minoria (pelo menos, é assim que se justificam os defensores das eleições).
Mas para os habitantes da cidade-livre, o consenso só é impossível quando existe autoritarismo, quando alguém tenta impor uma opinião sem dar abertura para que outras idéias apareçam e até prevaleçam como melhor solução. A experiência tem ensinado aos moradores de Christiania que cada reunião deve discutir só um assunto, principalmente na Reunião Comum, que decide sobre os problemas mais importantes da comunidade. E, contrariando o pessimismo dos que não conseguem imaginar uma vida sem governo institucional, a utopia está dando certo: a vida comunitária de Christiania preserva a liberdade individual e constrói uma eficiente dinâmica de relacionamento social, livre do autoritarismo e da submissão. A cidade-livre vive o anarquismo aqui e agora.

Ação Direta
Os moradores da Christiania fazem questão de ser uma pedra no sapato do capitalismo. Eles não se contentam apenas em incomodar os valores tradicionais da sociedade européia com a vida alternativa que levam. Christiania também desenvolve várias atividades com o objetivo de contestar o sistema capitalista e divulgar as idéias anarquistas.
Durante os primeiros anos, a cidade-livre se tornou conhecida por suas ações no teatro e na política. E quem conseguiu maior sucesso nessa área foi o grupo Solvognen. Uma de suas ações diretas mais famosas foi em 1973, quando a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), uma espécie de braço armado dos Estados Unidos na Europa, realizou um encontro de cúpula em Copenhagen. Inspirados no programa de rádio "Guerra dos Mundos" de Orson Welles, que simulou uma invasão de marcianos colocando em pânico a população norte-americana na década de 40, centenas de pessoas, lideradas pelo grupo de teatro de Christiania, fizeram parecer que um exército da OTAN tinha ocupado a Rádio Dinamarca e outros pontos estratégicos da cidade. A impressão que se tinha era que a Dinamarca estava ocupada por forças estrangeiras. Durante várias horas, o país inteiro ficou em dúvida se a invasão era teatro ou realidade. A ação foi uma dura crítica a intervenção dos Estados Unidos na vida dos países europeus.
O Solvognen também usou a critividade para contestar o comércio da maior festa do cristianismo. Em 1974, o grupo organizou o primeiro Natal dos Pobres da Dinamarca. Milhares de presentes foram distribuídos por um batalhão de Papai Noéis. Detalhe: os presentes eram artigos roubados das lojas de Copenhagen. Resultado: foram todos presos, mas o escândalo ganhou as manchetes dos principais jornais da europa, com fotos de dezenas de Papais Noéis sendo carregados pela polícia. Até hoje o Natal dos Pobres continua sendo organizado como uma tradição e todo ano aproximadamente 2 mil pessoas recebem uma grande ceia em Christiania. Vote Nulo.
Retirado de http://www.nodo50.org . Acessado em 06/2011.

31 de maio de 2011

Lista de filmes sobre a Segunda Guerra


La vai:

O grande ditador - Charles Chaplin, 1940.
Tora! tora! tora! - Richard Fleischer, Kinji Fukasaku, Toshio Masuda, 1970.
A escolha de Sofia - Alan J. Pakula, 1982.
Arquitetura da destruição - Peter Cohen, 1992.
A lista de Schindler - Steven Spielberg, 1993.
A vida é bela - Roberto Benigni, 1997.
O aprendiz - Bryan singer, 1998.
A Língua das Mariposas, José Luis Cuerda, 1999.
Círculo de fogo - Jean-Jacques Annaud, 2001.
A queda! As últimas horas de Hitler -Oliver Hirschbiegel, 2004.
Cartas de Iwo jima - Clint Eastwood, 2004.
A conquista da honra - Clint Eastwood, 2004.
O labirinto do fauno - Guillermo del Toro, 2006.
O pianista - Roman Polanski, 2009.

5 de abril de 2011

Comissão da OEA pede que Brasil suspenda construção da represa de Belo Monte


(AFP) – 05/04/2011
WASHINGTON — A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA), pediu ao Brasil que suspenda imediatamente a construção da represa de Belo Monte, na Amazônia, e que faça consultas com os povos indígenas afetados, segundo um comunicado divulgado nesta terça-feira.
A CIDH solicitou "que o governo brasileiro suspenda imediatamente o processo de licença do projeto da Usina Hidrelétrica de Belo Monte e que impeça a realização de qualquer obra material de execução", segundo o comunicado enviado à AFP.
A comissão divulgou inicialmente a versão de que apenas tinha pedido "medidas cautelares" de proteção para uma dúzia de povos indígenas, entre eles comunidades que vivem em isolamento voluntário na baía do rio Xingu, para onde a obra foi planejada.
As petições da CIDH, um órgão autônomo da Organização dos Estados Americanos (OEA), não obrigam legalmente os Estados-membros a acatar suas decisões.
"A solicitação de medida cautelar alega que a vida e integridade pessoal dos beneficiários estaria em risco pelo impacto da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte", explicou o texto.
O governo brasileiro reagiu e se declarou "perplexo" e considerou "precipitadas e injustificadas" as medidas solicitadas.
A CIDH pediu que a consulta aos povos indígenas seja "prévia, livre, informada, de boa fé, culturalmente adequada, e com o objetivo de chegar a um acordo".
"Adicionalmente, a CIDH solicitou ao Estado que garanta que (...) as comunidades indígenas beneficiárias tenham acesso a um Estudo de Impacto Sócio-Ambiental do projeto, em um formato acessível, incluindo a tradução aos idiomas indígenas respectivos", completou o comunicado.
"Estão sendo observadas com rigor absoluto as normas pertinentes para que a construção (da hidrelétrica) leve em conta todos os aspectos sociais e ambientais", assegurou a chancelaria brasileira.
Indígenas, moradores tradicionais do local e ambientalistas que se opõem ao projeto comemoraram a decisão da Comissão Interamericana.
"Estou muito comovida com esta notícia. Hoje, mais do que nunca, tenho a segurança de que tínhamos razão de denunciar as violações aos direitos dos povos indígenas do Xingu, e continuaremos firmes e resistentes nessa luta", reagiu a líder indígena local Sheyla Juruna.
O governo "já não pode usar o desenvolvimento econômico como uma desculpa para ignorar os direitos humanos e nos fazer engolir projetos de destruição e morte de nossos recursos naturais", declarou por sua vez Antonia Melo, coordenadora do Movimento Xingu Vivo.
Com 11.200 MW de potência que serão equivalentes a 11% da capacidade instalada do país, e a um custo de 11 bilhões de dólares, a enorme represa pretende ser a terceira maior do mundo em capacidade, atrás das Três Gargantas na China e Itaipu, na fronteira entre Brasil e Paraguai.
Segundo dados oficiais, o projeto empregará diretamente 20.000 pessoas, inundará uma área de 500 km2 junto ao rio Xingu e acarretará em 16.000 deslocados.

21 de março de 2011

Surplus - uma reflexão



Documentário que trata da questão do consumismo e imperialismo global, com uma abordagem que questiona o sentido da vida capitalista. Divirtam-se!

20 de março de 2011

Forças da coalizão iniciam intervenção militar na Líbia

Simpatizantes do coronel Kadafi demonstram apoio ao líder na fortaleza Bab Al Azizia, em Trípoli  

operamundi.uol.com.br, mar/2011.

Dois dia após o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovar uma resolução que previa "todos os meios necessários" para proteger a vida de civis na Líbia, a coalizão formada por cinco países - Estados Unidos, França, Canadá, Itália e Reino Unido - começou neste sábado (19/03) a atacar a Líbia.
Na primeira reação após os bombardeios, o líder líbio, Muamar Kadafi, prometeu reagir à operação "Alvorada da Odisseia", como está sendo chamada a intervenção militar, e convocou todos os líbios a defender o país da "segunda cruzada do Ocidente", em uma referência à invasão de Jerusalém por europeus na Idade Média. "Vamos abrir o depósito de armas", prometeu.

A França deu início à operação por meio de ataques aéreos na cidade de Benghazi, no nordeste do país africano e considerado o reduto dos grupos opositores ao governo da Líbia. A justificativa foi a de que Kadafi não respeitou o cessar-fogo declarado pela própria Líbia ontem (18/03), atirando contra civis. O fato foi negado por Trípoli.

Naquele momento, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, confirmou a intervenção militar, após participar de um cúpula com a participação da ONU (Organização das Nações Unidas), países europeus e árabes para discutir a crise na Líbia. "Ainda há tempo para Kadafi evitar o pior. Portas da diplomacia serão reabertas no momento em que ataques cessarem", disse Sarkozy.


Posteriormente, foi a vez dos Estados Unidos empreenderem um ataque de mísseis Tomahawk ao território líbio, a partir de um navio da Marinha norte-americana. Um oficial líbio informou à TV estatal que tanques de combustível na cidade de Misrata, a leste de Trípoli, foram atingos, de acordo com a agência France Press. Também há informações de que civis foram atingidos.

De acordo com os EUA, a participação norte-americana será limitada a somente uma semana e que, depois desse prazo, as forças europeias tomarão as rédeas da intervenção à Líbia.

"Autorizei hoje o início de uma intervenção militar na Líbia, com o intuito de proteger civis. Ela agora está em andamento", afirmou em mensagem o presidente dos EUA, Barack Obama, que faz visita ao Brasil. "Kadafi ignorou os avisos. Quero que o povo norte-americano saiba que o uso da força não foi a nossa primeira opção. Não haverá perdão a Kadafi. Ações têm consequências e a comunidade internacional precisa agir".

Em seguida, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, confirmou, em um comunicado, que forças do Reino Unido já estavam em ação na Líbia. “Foi necessário, legal e justo”, disse o premiê. Juntos, navios de guerra e submarinos dos EUA e Reino Unido já teriam lançado 112 mísseis de cruzeiro contra os sistemas antimísseis líbios e alcançado cerca de 20 alvos, segundo informou o Pentágono


O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, condenou o ataque à Líbia e chamou a operação "Alvorada da Odisseia" de "irresponsável". Segundo Chávez, as nações envolvidas na operação querem apenas se apoderar do petróleo da Líbia e exigiu um "cessar-fogo de verdade" imediatamente.

"Já começou a ação militar dos aliados contra a Líbia. É muito lamentável. É uma irresponsabilidade. E por trás disso estão as mãos dos EUA e seus aliados europeus", criticou o presidente venezuelano na televisão estatal.

Num comunicado divulgado pelo porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Loukashevich Alexander, o governo russo lamentou a ação militar, realizada "no quadro da resolução 1973 da ONU, aprovada às pressas".

Logística

O objetivo inicial da operação, de acordo com o almirante norte-americano Bill Gortney, é concentrar os esforços na parte ocidental da Líbia. Segundo a agência de notícias Reuters, citando uma fonte militar norte-americana, um ataque na costa da Líbia pelas forças dos cinco países está prevista para acontecer ainda neste sábado.

Depois do bombardeio de hoje, segundo fontes do governo norte-americano, a capacidade de defesa antiaéarea líbia ficou severamente danificada.

Mais cedo, aviões franceses destruíram quatro veículos militares das forças de Kadafi em Benghazi. Segundo o Ministério da Defesa francês, cerca de 20 aviões estavam envolvidos na intervenção.

Há 25 embarcações navais da coalizão no Mar Mediterrâneo, segundo o Pentágono, entre eles três submarinos americanos. Onze delas são italianas, onze, norte-americanas, e três de Reino Unido, França e Canadá.

A Itália também enviou jatos para voos de reconhecimento sobre o espaço aéreo líbio e ofereceu a base da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) para ser o centro de comando da operação.  Caças canadenses estão a caminho do Mediterrâneo. Países árabes, como Catar e Emirados Árabes Unidos, devem participar também da ação.

16 de março de 2011

Câmara de Sorocaba aprova requerimento pedindo informações sobre o patrimônio


Segue abaixo requerimento encaminhado pelo vereador José Francisco Martinez à câmara, em vigor desde sua aprovação em 2008


Requerimento


Assunto: INFORMAÇÕES AO PREFEITO SOBRE PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL DE SOROCABA.

                                   CONSIDERANDO que, a Constituição da República Federativa do Brasil estabelece que o poder público, com a cooperação da comunidade, deve promover e proteger o "patrimônio cultural brasileiro". Dispõe ainda que esse patrimônio é constituído pelos bens materiais e imateriais que se referem à identidade, à ação e à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira;
                                 CONSIDERANDO que, esses bens materiais e imateriais que formam o patrimônio cultural brasileiro são, portanto, os modos específicos de criar e fazer (as descobertas e os processos genuínos na ciência , nas artes e na tecnologia); as construções referenciais e exemplares da tradição brasileira , incluindo bens imóveis (igrejas, casas, praças, conjuntos urbanos) e bens móveis (obras de arte ou artesanato); as criações imateriais como a literatura e a música; as expressões e os modos de viver, como a linguagem e os costumes; os locais dotados de expressivo valor para a história, a arqueologia, a pleontologia e a ciência em geral, assim como as paisagens e as áreas de proteção ecológica da fauna e da flora;
                                 CONSIDERANDO que, quando se preserva legalmente e na prática o patrimônio cultural, conserva-se a memória do que fomos e do que somos: a identidade da nação. Patrimônio, etimologicamente, significa "herança paterna"- na verdade, a riqueza comum que nós herdamos como cidadãos, e que se vai transmitindo de geração a geração;
                                 CONSIDERANDO que, tombar alguma coisa de acordo com normas legais, equivale a registrar, com o objetivo de proteger, controlar, guardar. Tombamento, também chamado tombo, provavelmente originado do latim tomex, significa inventário, arrolamento, registro. O tombamento de bens culturais, visando a sua preservação e restauração, é de interesse do estado e da sociedade;
                                 CONSIDERNADO que,  a Constituição do Brasil determina a proteção do Patrimônio Cultural Brasileiro. Para estabelecer as normas práticas necessárias a essa proteção , existe uma legislação ordinária federal, cujo embasamento é o Decreto-Lei n 25, de 30 de novembro de 1937, isto posto, é que:

                                    Requeiro à Mesa, ouvido o Plenário, seja oficiado o Exmo. Sr. Prefeito Municipal, solicitando as seguintes informações:

  • Informar quantos, quais e em que nível são os imóveis tombados em Sorocaba;
  • Informar quantos, quais e em que data são os imóveis que estão em “estudo de tombamento”;
  • Informar quando esses “estudos” terminarão, caso a caso;
  • Há alguns anos atrás foi contratada uma empresa para analisar os imóveis em estudo de tombamento, juntar o  relatório final dessa empresa;
  • Depois dessa análise, que onerou o erário público, qual o resultado do mesmo? Os imóveis saíram da fase de “estudo”? Foram tombados? Os processos tiveram prosseguimento ou estão paralisados? Detalhar.
  • Quantas resoluções para tombamento o CMDP relatou e encaminhou? Favor informar ano a ano o número de resoluções e seus detalhes, desde a criação do CMDP.
  • Existem incentivos municipais para os proprietários dos  imóveis tombados ou em tombamento?
  • Para quando esta programada a realização de um novo inventário de bens passíveis de tombamento em Sorocaba?
  • Informar os motivos do não tombamento, até a presente data,  dos imóveis: CPI 7 da Polícia Militar, Capela do Inhaiba, o packing house da rua Epitácio Pessoa, Oficina Cultural Grande Otelo, Palacete Scarpa, Oficinas da Sorocabana, o Chalé Francês, o abrigo de bonde da Praça 9 de Julho. Informar detalhadamente cada um desses casos.
  • O que esta sendo feito pela PM Sorocaba para o retorno da locomotiva 10?
  • Já se iniciaram os serviços para a restauração das esculturas do consagrado artista Cassiporé Torres?
  • Quando a P. M. de Sorocaba vai demolir o banheiro construído ao arrepio da lei no 4º andar do Palácio dos Tropeiros?
  • A P. M. de Sorocaba tem ciência do desabamento do Casarão da Boa Vista? Foi tomada alguma providência pra se evitar?
  • Existem pedidos de destombamentos requeridos na P. M. de Sorocaba?
  • O que aconteceu com o estudo de tombamento do imóvel da rua Sete de Setembro conhecido como Casarão do Stilitano? E com a vila residencial anexa ao mesmo? Detalhar as informações.
  •  O Casarão do Brigadeiro Tobias foi restaurado pelo Via Oeste? Se positivo no que consistiu essas obras? O restauro esta concluído? Quando o Museu do Tropeirismo volta para a sua sede? E o parque que seria criado no seu entorno, como esta a sua implantação?
  • Sorocaba preserva o seu patrimônio imaterial? Esta prevista esse tipo de preservação pelo CMDP? Quais as resoluções de bens imateriais realizadas até a presente data pelo CMDP?
  • Porque não se tomba nada em Sorocaba a mais de 5 anos?
S/S.,  17  de novembro  de 2008.

 JOSÉ FRANCISCO MARTINEZ
Vereador

28 de fevereiro de 2011

Se você usa Dior, saiba que quem as faz é um neonazista...

Em novo ataque de antissemitismo, Galliano é filmado dizendo 'amo Hitler'

Em vídeo divulgado pelo 'The Sun', Galliano aparece alcoolizado em bar.
Estilista foi detido na semana passada acusado de 'agressão leve' e insultos.

Assista ao vídeo aqui
 
Da France Presse, 28/02/2011.
O estilista britânico John Galliano foi filmado em um bar dizendo "eu amo Hitler" a um grupo de mulheres, antes de ofendê-las. Galliano foi suspenso na última sexta-feira (25) pela Casa Dior depois de ter sido detido em Paris, acusado de insultos antissemitas. O vídeo foi divulgado nesta segunda (28) pelo jornal britânico "The Sun".

"Pessoas como vocês estariam mortas hoje. Suas mães, seus antepassados teriam sido mortos pelo gás", afirma Galliano no vídeo, gravado por uma das pessoas do grupo no mesmo bairro de Marais, no centro de Paris, onde o estilista foi detido.

O "The Sun", que não informa quando o vídeo foi feito, acrescenta que no grupo havia franceses e italianos, nenhum deles judeu.

"Galliano estava sentado sozinho com sua bebida na mão quando nós nos sentamos na mesa ao lado", explica o autor do vídeo. "Ele não parava de se intrometer, fazendo comentários sobre nós e sobre o que dizíamos. Sabíamos quem era. Ele é fácil de reconhecer", acrescentou.

"Estávamos atônitos por causa das coisas que ele disse, mas aí ele começou a fazer comentários antissemitas horríveis. Suas palavras eram repugnantes (...) Era puro racismo", acrescentou.

Segundo o jornal francês "Le Parisien", outra jovem francesa denunciou no sábado os insultos antissemitas que Galliano teria feito em outubro de 2010 no mesmo café La Perle.

Neste incidente, Galliano debochou do físico da denunciante antes de proferir insultos racistas em inglês.

Biografia
Nascido em Gibraltar em 1960, John Galliano comanda o braço criativo da Dior desde 1996.

Filho de um encanador inglês e de uma espanhola, Galliano é um dos estilistas mais inventivos de sua época, deslumbrando as passarelas parisienses a cada temporada com suas criações ousadas e desfiles que são verdadeiros espetáculos de extravagância.

Ele se formou na prestigiada Saint Martin's School of Art de Londres, de onde saíram alguns dos estilistas mais vanguardistas do século XX, que ajudaram a elevar a capital inglesa à elite das capitais mundiais da moda.

John Galliano começou desfilando na Semana de Moda londrina. Em 1987, venceu o prêmio de melhor estilista britânico do momento. Em 1993, decidiu se mudar para Paris, onde vive até hoje.

Dois anos mais tarde, foi contratado pelo presidente da prestigiosa LVMH, Bernard Arnault, como diretor de criação da Givenchy, outra das marcas de luxo mais disputadas do mundo.

Desde 1999, Galliano dirige todas as linhas femininas da Dior, além da divisão de artigos de couro e da imagem da marca. Ao mesmo tempo, desenha suas próprias coleções.

22 de fevereiro de 2011

Marina Silva sobre a construção da Usina Belo Monte

Quinta, 4 de fevereiro de 2010 Pandora é aqui?
Marina Silva
De Brasília (DF)
Pandora é aqui?
O Ibama concedeu a licença prévia para a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Trata-se de um projeto muito polêmico, localizado no rio Xingu, no Pará, próximo ao município de Altamira, numa região conhecida como Volta Grande do Xingu. O nome deve-se ao desenho do rio que, visto de cima, assemelha-se a uma “ferradura”.
Por meio de barragens, as águas do rio serão desviadas para um canal que unirá as pontas mais próximas dessa “ferradura”. Ao final desse canal, as águas passarão pelas turbinas antes de retornarem ao seu curso normal.
Como tudo na Amazônia, os números que envolvem a obra são gigantescos. A quantidade de terra e pedra que será retirada na escavação do canal é cerca de 210 milhões de m³ – um pouco menor da que foi removida na construção do Canal do Panamá. E ainda nem se definiu qual a destinação desse material.
Pelo leito do rio Xingu passa uma vazão de 23.000 m³/s de água no período de cheia. Um volume correspondente a quatro vezes a vazão, também nos períodos de cheia, das Cataratas do Iguaçu.
Os impactos socioambientais também terão essa mesma ordem de grandeza. E ainda não foram concluídos. Só sobre a fauna, segundo dados coletados durante o Estudo de Impacto Ambiental, podemos ter uma idéia. Na área existem 440 espécies de aves (algumas ameaçadas de extinção, como a arara-azul), 259 espécies de mamíferos (40 de porte médio ou grande), 174 de répteis e 387 de peixes.
Apenas a eficiência energética da usina não será tão grande. Uma obra colossal que custará certamente mais de R$ 30 bilhões – se somados todos os gastos, como o custo e a extensão da linha de transmissão, por exemplo – terá uma capacidade instalada de gerar, em média, 4.428 MW, em razão do que poderá ser suportado pelo regime hídrico do rio, nesta configuração do projeto. E não os 11.223 MW que estão sendo equivocadamente anunciados.
A energia média efetiva entregue ao sistema de distribuição será de 39% da capacidade máxima de geração, enquanto a recomendação técnica indica que essa eficiência seja de pelo menos 55%.
Para que Belo Monte possa apresentar um grau de eficiência energética
compatível com as recomendações técnicas, seria necessária a construção de outras três hidrelétricas na bacia do rio Xingu, que teriam a função de regularizar a vazão do rio. Por ora, a construção dessas usinas foi descartada pelo governo porque estão projetadas para o coração da bacia, onde 40% das terras pertencem aos indígenas.
No entanto, a insistência em manter o projeto nessa dimensão (apesar de haver alternativa de barragem com quase metade da capacidade instalada e perda de pouco mais de 15% na potência média gerada) provoca forte desconfiança, tanto dos analistas como das comunidades e dos movimentos sociais envolvidos, de que a desistência de construir as outras três hidrelétricas seja apenas temporária.
A população indígena – são mais de 28 etnias naquela região – ficará prensada entre as cabeceiras dos rios que formam a bacia, hoje em processo acelerado de exploração econômica e com alto nível de desmatamento acumulado. E a barragem, além de interromper o fluxo migratório de várias espécies, vai alterar as características de vazão do rio.
É incrível que um empreendimento com esse nível de interferência em ambientes sensíveis seja idealizado sem um planejamento adequado quanto ao uso e à ocupação do território.
A solução de problemas dessa dimensão não pode ser delegada exclusivamente a uma empresa com interesse específico na exploração do potencial hidrelétrico, com todas as limitações conhecidas do processo de licenciamento.
Com a obra, são esperadas mais de 100 mil pessoas na região. Não há como dar conta do adensamento populacional que será provocado no meio da floresta amazônica, sem um planejamento para essa ocupação e um melhor ordenamento do
território. Isso só pode ser alcançado através da elaboração de um Plano de Desenvolvimento Sustentável na região de abrangência da obra.
Essa foi uma grande omissão nesse processo, mas não a única. Não temos como deixar de indagar se não há outros aproveitamentos hidrelétricos que seriam mais recomendados, sob o ponto de vista dos impactos ambientais ou da eficiência energética.
No entanto, não há projetos com estudo de viabilidade técnica e econômica prontos para serem submetidos ao licenciamento ambiental. Apesar de o diagnóstico ser conhecido desde 2003, apenas em meados do ano passado foram finalizadas as primeiras revisões de inventário de bacia hidrográfica, como a do Tapajós.
Com isso, projetos polêmicos e com grandes impactos têm que ser analisados em prazos muitas vezes incompatíveis com o grau de rigor que deveriam ter, numa clara demonstração de como, muitas vezes, os ativos ambientais são afetados pela falta de planejamento de outros setores de governo.
Porém, nada foi mais afetado do que nosso compromisso ético frente à responsabilidade com o futuro de povos e culturas. Não foram sequer feitos estudos sobre os impactos que os povos indígenas terão. Só para exemplificar, o que significará para eles ter a vazão reduzida significativamente num trecho de 100km em função do desvio das águas para o canal? O plano de condicionantes tampouco menciona a regularização de duas Terras Indígenas (Parakanã e Arara), já bastante ameaçadas.
Estas e outras comunidades indígenas manifestam inconformidade por não terem sido ouvidas adequadamente, segundo os preceitos da Resolução 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ratificada pelo Brasil, mas nunca implementada para valer.
O Brasil possui um importante potencial de geração de energia hidrelétrica a ser desenvolvido. Mas as dificuldades em retomar o planejamento do setor na velocidade que possibilite escolhas e uma análise segura por parte do setor ambiental, somada à indisposição em discutir uma proposta de desenvolvimento sustentável para as obras de infraestrutura localizadas na Amazônia, à percepção de que o governo não faz o suficiente para melhorar a eficiência energética do sistema (não só na geração) e para desenvolver as energias alternativas, acaba por produzir conflitos agudos e processos equivocados, que poderiam ser evitados.
Apesar dos discursos em contrário, ainda estamos operando no padrão antigo, que considera o meio ambiente como entrave ao desenvolvimento. Temos ainda um longo dever de casa a ser feito para ingressarmos definitivamente no século 21. Quem pensa que a história relatada no filme Avatar só pode ocorrer em outro planeta, engana-se: Pandora também pode ser aqui.
* Marina Silva é professora de ensino médio, senadora (PV-AC) e ex-ministra do Meio Ambiente.*
*Fale com Marina Silva:
marina.silva08@terra.com.br<%20marina.silva08@terra.com.br>

Discussão sobre Belo Monte concentra atenções na internet

Levantamento mostra que 80,8% das mensagens sobre energia na rede estão relacionadas à usina.  

Um estudo realizado pela MITI Inteligência e divulgado na última semana revela que, dentre as mensagens relacionadas ao setor elétrico trocadas em sites de relacionamento, blogs e mídias online, 80,8% estavam relacionadas à construção da hidrelétrica de Belo Monte. Outra parcela dos recados dos internautas e notícias falava principalmente sobre blecautes e falhas no fornecimento de energia.  Dentre as interações em que Belo Monte era o assunto, 85,8% eram demonstrações contrárias à construção da usina, ante 2,6% que se disseram a favor do projeto. O levantamento foi realizado entre os dias 27 e 31 de janeiro deste ano, por meio de amostragem.  Em outro momento, a pesquisa mostra que o nome da presidente Dilma Rousseff e da senadora Marina Silva, além de Plínio Arruda aparecem juntos entre os principais termos-chaves do embate sobre a hidrelétrica: Ibama, licença, hidrelétrica, construção, usina e Xingu.  A expressão “PareBeloMonte” foi a mais cotada do período, seguida de “Belo”. Termos como “Brazilian”, “internacional”, “president´s”, segundo o MITI, mostram a dimensão internacional que as discussões continuam tomando.  A empresa, especializada em monitoramento de mídias online, aponta que fatos como a liberação parcial para início da construção de Belo Monte, concedida pelo Ibama em 26 de janeiro, e as quedas de energia em diversas partes do País, a maioria devido às chuvas de janeiro, impulsionaram a discussão na rede. Nos termos relacionados a problemas na rede elétrica, aparecem entre os mais citados: "sem luz", repetido 3.989 vezes, seguido de "faltou luz" (2.017), "falta luz" (1.477) e "apagão" (1.372).  Para mensurar a representatividade dos assuntos ligados a energia, foram monitoradas 2,6 mil notícias de 3,5 mil veículos online. Redes sociais, como Twitter e Facebook, também serviram como fonte, além de blogs, fóruns e sites que abrem espaço para reclamações dos internautas.

21 de fevereiro de 2011

Cientistas debatem se fóssil da Ardi era de humana ou macaca

 RICARDO BONALUME NETO
FOLHA DE S. PAULO, 21/02/2011.

Macaca ou humana? O fóssil da pequena Ardi, uma criatura 1,2 metro e 50 kg que viveu há 4,4 milhões de anos, despertou um furioso debate agora que um artigo na "Nature" colocou mais dúvidas sobre ela ser de fato um ancestral humano.
Batizada com o nome científico Ardipithecus ramidus, sua descrição detalhada na "Science" em 2009 se tornou a descoberta do ano. O fóssil foi declarado o mais espetacular achado paleontológico desde a escavação de Lucy, em 1974, com 3,2 milhões de anos. 
 Desenho simula a aparência de Ardi, fóssil achado na Etiópia; cientistas discutem se era ou não ancestral do homem

Os paleontólogos sempre especularam sobre como seria a forma do ancestral comum, se algo intermediário entre o humano e os grandes macacos africanos. "Nós vimos o ancestral, e não é um chimpanzé", declarou Tim White, da Universidade da Califórnia em Berkeley, que chefiou os estudos.
Ardi é o grande achado de White e colegas. Por isso, é compreensível que não gostem da ideia de que ela seja apenas uma macaca velha.
"Ardipithecus ramidus é apenas 200 mil anos mais velho que o Australopithecus anamensis. Mesmo com a melhor boa vontade do mundo eu não consigo ver o Ardipithecus ramidus evoluindo para o Au. anamensis", disse à Folha um dos autores do artigo da "Nature", Bernard Wood, da Universidade George Washington.
O outro autor do mesmo trabalho é Terry Harrison, da Universidade Nova York. "Não há absolutamente nada de novo nesse artigo", reagiu White, em declaração à Folha sobre o artigo de Wood e Harrison, que criticam a humanidade de Ardi.
O principal argumento da dupla é que White e colegas não teriam considerado a hipótese de "convergência evolutiva", isto é, o mesmo traço anatômico --a forma de um osso, por exemplo-- surgir em espécies que não são diretamente relacionadas.
A ancestralidade humana de Ardi já tinha sido criticada no ano passado na própria "Science" por Esteban Sarmiento, primatologista da Fundação Evolução Humana, em Nova Jersey.
Para ele, o Ardipithecus é um quadrúpede palmígrado, que se apóia nas plantas das quatro patas, e não um bípede, como dito por White.
Sarmiento não gostou nem da réplica de White e colegas publicada na mesma "Science", nem do novo artigo de Wood e Harrison.
"Para ser capaz de decidir sobre as relações ancestral-descendente entre macacos vivos e fósseis, nós precisamos olhar para traços suficientemente complexos de modo a deixarem um registro de convergência na anatomia", declarou Sarmiento.
Segundo ele, a dupla, com base nos mesmos traços anatômicos, aceita que o Australopithecus seja da linhagem humana, mas não o Ardipithecus.

17 de fevereiro de 2011

Entrevista com Rodrigo Mac Niven - Produtor do Documentário "Cortina de Fumaça"

Fonte : http://www.brasilnorml.org/

Em entrevista concedida com exclusividade à Brasil NORML, o jornalista Rodrigo Mac Niven, produtor do documentário “Cortina de Fumaça”, falou um pouco mais sobre a legalização da maconha no Brasil e a falta de informação da sociedade em relação ao assunto.
Para ele, antes de haver o debate sobre qual a melhor política, é preciso fornecer à população subsídios para que ela possa fazer esta escolha com o pé no chão. Porém, a falta de acesso à informações precisas e confiáveis acaba cegando as pessoas contra a real situação das drogas.
Brasil NORML: Quando você decidiu produzir um documentário que falasse sobre Maconha?
Rodrigo Mac Niven: Por volta de 2008 eu estava lendo o livro do Denis Russo (Coleção Super Interessante Para Saber Mais Volume 4 – Maconha) e percebi que eu desconhecia noventa por cento daquelas informações que estavam ali. O que me chamou mais a atenção foi descobrir que a Maconha tem um papel super importante dentro das políticas anti-drogas. Eu decidi então que queria investigar mais o assunto e, já em Maio de 2009, viajei para Europa para começar a gravar o filme. A primeira parada foi a Feira Cannatrade, na Suiça. Foi tudo no “esquema colaborativo”, digamos assim. Liguei para o organizador da feira, expliquei minhas intenções e ele me colocou lá dentro.
BN: Qual era seu objetivo quando teve esta ideia?
RMN: A primeira ideia era criar um debate, tanto que eu explicava aos entrevistados que eu não estava levantando nenhuma bandeira, que apenas queria promover uma discussão. Mas ao longo do tempo reparei que eu mesmo era ignorante sobre o assunto, e, portanto, precisava levantar mais informações. Pois como era possível debater se, assim como eu, as pessoas eram carentes de informações básicas sobre a maconha? Então, mudei meu objetivo e resolvi pesquisar a fundo a questão sobre políticas anti-drogas e sobre as pesquisas medicinais . Mas a minha maior preocupação era passar esta informação com credibilidade, para que o espectador não pensasse que eu estava tentando convencê-lo do meu ponto de vista. Pelo feedback que tenho recebido, acho que atingi este objetivo.
BN: Depois de toda sua pesquisa, qual a sua opinião sobre o consumo de maconha e as políticas anti-drogas no Brasil?
RMN: Eu sempre achei que a proibição da maconha era meio “over”, mas, como todo mundo, eu ficava no achismo. Hoje estou mais convencido de que a legalização é a política mais adequada. Eu acho que o consumo, ou o desejo de usar qualquer tipo de droga não deve ser reprimido, porque isso não cabe ao Estado. Mas existe uma certa confusão entre liberar e legalizar. Legalizar é colocar dentro da lei, é regulamentar. Principalmente o uso medicinal, que não tem mais como ser contestado. Na minha opinião, o desafio, hoje, é comunicar. É oferecer informação relevante à população. Porque a atual política proibicionista é muito danosa à sociedade. O próprio filme fala sobre isso, que a origem do uso de drogas está no desespero, na pobreza. E a repressão vem para mascarar estas origens. Agora, eu penso que a legalização também não resolveria o problema da violência, mas, com certeza, ajudaria a diminuí-la.
BN: Você acha que o Brasil está, hoje, preparado para uma política de legalização?
RMN: Acho que não. Quero dizer, eu não tenho tanta informação sobre o sistema de saúde no Brasil e também não acredito que isso aconteça de uma hora para outra. Recentemente, até tentaram avançar nesta questão através do relaxamento da pena para usuários, mas a gente sabe que, no final, essa mudança apenas piorou a situação do pobre, pois o enquadramento como usuário não virou circunstancial. Eu acredito que a primeira medida a ser tomada deve ser a liberação do plantio, pois a maconha tem um ciclo diferente. É a única droga que você pode plantar, colher e consumir no mesmo lugar. Só esta medida já reduziria a procura pela droga através do tráfico. A segunda medida é a legalização do uso medicinal. Ainda existem muitos médicos que não aceitam as propriedades terapêuticas da maconha, mas isso já está mais que provado. Deve-se, no entanto, atentar para um possível monopólio por parte dos laboratórios, o que prejudicaria o cultivo caseiro.
BN: Como o filme foi uma produção independente, você encontrou alguma dificuldade durante o sua elaboração?
RMN: Por incrível que pareça, não. Não tive quase nenhuma dificuldade. Depois que fui bem recebido na feira da Suiça, resolvi falar com o Gabeira. E achei que seria muito difícil e tal. Mas foi um processo relativamente fácil e sem grandes dificuldades. É óbvio que houve um trabalho intenso de assessoria, telefonemas e envio de e-mails, mas todos foram muito receptivos. É como se todo mundo já estivesse querendo falar sobre isso há muito tempo. Mesmo quando viajei para o exterior, e me identificava como jornalista brasileiro, fui bem recebido. As pessoas conhecem o Brasil e sabem que é um país enorme. Elas viam no Brasil a possibilidade de influenciar as políticas anti-drogas latino-americanas.
BN: Você não teve medo de sofrer algum tipo de represália do governo?
RMN: Eu tive ajuda de um advogado que orientou todo o trabalho, para evitar esse tipo de problema. Ele foi mais um consultor, digamos assim. De qualquer forma, eu não me preocupei muito com isso, porque, afinal, aqueles depoimentos não eram a minha fala, mas sim de pessoas gabaritadas e experientes dividindo o seu conhecimento. Nada mais.
BN: Você tem planos de lançar outros trabalhos sobre o assunto?
RMN: Tenho alguns projetos andando em conjunto com o grupo Coletivo, do qual participo, que é basicamente um grupo de produção de ideias, onde existem pessoas pensando assuntos não só sobre políticas anti-drogas, que atualmente é o nosso carro-chefe, mas também sobre questões sociais, corrupção e, por aí vai… O Coletivo seria a minha iniciativa ativista, visando produzir informação com credibilidade. Futuramente, pensamos em produzir mais curtas-metragens para democratizar o acesso. Um longa traz bastante conteúdo, mas demora muito tempo para ficar pronto. Hoje a sociedade é altamente audiovisual, por isso este formato tem muito apelo. Como o excesso de texto não é atrativo, queremos levar conhecimento através de pequenos vídeos.
BN: E quando será a próxima exibição do Cortina de Fumaça?
RMN: Fechamos mais uma exibição independente em São Paulo, no espaço Matilha Cultural, mas a datas ainda serão confirmadas.